Afinal, o que é a espiritualidade?

Espiritualidade

Hoje fala-se muito de espiritualidade e das revoluções interiores, que ela pode operar no ser humano. Visto assim a frio, parece-me um conceito vago e abstrato, com um valor relativo, pois cada pessoa entende-a e trabalha-a, consoante vai alargando a sua perceção do mundo. Eu chamo-lhe consciência. Cada vez que a minha visão do mundo se altera, eu tomo consciência da transformação interior, que ela provocou em mim. E isso, naturalmente, vai alterar o meu modo de agir, em determinadas circunstâncias. Para mim, a espiritualidade é a liberdade de pensar, indagar e agir conforme a minha consciência, sem amarras a dogmas, conceitos ou preconceitos sociopolíticos e religiosos.

O curioso é que este conceito, aparentemente acoplado às religiões – principalmente cristãs –, parece ter sido, durante anos, marginalizado ou ignorado pelas mesmas. Com o aparecimento de novas filosofias e novos valores dados à espiritualidade – pois o Homem muda, tal como as conjunturas em que vive -, as religiões estão a tentar repescá-lo adaptando-o aos seus próprios dogmas. Vi um artigo cristão onde esse esforço é visível.

(…) Para pôr ordem ao modo de entender o mundo, o dividimos em dois: o sagrado e o profano. A maneira como nos relacionamos com o sagrado são da esfera da espiritualidade.(…)

Parece-me que a espiritualidade, pelo menos como eu a entendo, não tem nada a ver com a dualidade simplista das diversas igrejas cristãs. Para melhor compreensão do conceito, deixo abaixo um excelente texto, que encontrei no blog da psicóloga Atena Vieira, escrito pelo físico nuclear, Guido Nunes Lopes.

Religião e espiritualidade

A religião não é apenas uma, são centenas.

A espiritualidade é apenas uma.

A religião é para os que dormem.

A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer, querem ser guiados.

A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.

A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.

A espiritualidade lhe dá Paz Interior.

A religião fala de pecado e de culpa.

A espiritualidade lhe diz: “aprende com o erro”.

A religião reprime tudo, te faz falso.

A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!

A religião não é Deus.

A espiritualidade é Tudo e portanto é Deus.

A religião inventa.

A espiritualidade descobre.

A religião não indaga nem questiona.

A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.

A espiritualidade é Divina, sem regras.

A religião é causa de divisões.

A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.

A espiritualidade você tem que buscá-la.

A religião segue os preceitos de um livro sagrado.

A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.

A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.

A religião faz viver no pensamento.

A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.

A espiritualidade se ocupa com Ser.

A religião alimenta o ego.

A espiritualidade nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.

A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.

A religião é adoração.

A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.

A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.

A religião vive no passado e no futuro.

A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.

A espiritualidade liberta nossa Consciência.

A religião crê na vida eterna.

A espiritualidade nos faz conscientes da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.

A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

Guido Nunes Lopes – Físico, Doutor em Energia Nuclear na Agricultura, ARC – Academia Roraimense de Ciências, UFRR – Universidade Federal de Roraima.

Via Expansão da Consciência

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Sobre Luísa L.

Portuguesa, alentejana, apaixonada pelas artes e letras em todas as suas manifestações.
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15 respostas a Afinal, o que é a espiritualidade?

  1. Gostei muito e compartilhei no meu face!!!!
    Beijos

  2. Oi Luísa!

    Vou mais ou menos por seu caminho. Também não julgo Espiritualidade posse de alguma crença. Ateus podem ser, paradoxalmente, espiritualizados, se tivermos que espíritos são, nada mais, que a essência do humano. Não do indivíduo, mas do Humano.

    Talvez seja essa a chave, perdida pela ânsia de dominação das religiões e religiosos: alcançar a Espiritualidade é poder viver a vida de todos. É tomar compartilhada a vivência e experiência do coletivo. Quando conseguimos nos livrarmos da rigidez de nosso próprio Eu.

    O Espírito talvez, sim, talvez seja Nós, em oposição ao imediatismo do Eu e à submissão do rebanho. Fazer porque é o natural a ser feito. E não porque termos a obrigação de vestir farda e máscara.

    Bom, é tudo um grande acho. Me dizem, com insistência, que Divindades não podem ser compreendidas ou julgadas pelo conhecimento e caráter humano. Que vão muito além de nós Mesmo as Divindades que juram ter-nos criado à sua Imagem e Semelhança. Pero no mucho, entonces… E, sendo assim, talvez a Humanidade não deva aceitar ser compreendida e julgada por Divindades assim. Podemos estar além da parca inteligencia e pouca compreensão do Criador.

    Beijos

    • Luísa L. diz:

      José, grosso modo, as religiões cristãs são uma ferramenta eficaz do capitalismo. Repara que o cristianismo aparece com o despontar do capitalismo, do dinheiro (burguesia capitalista, mercadores, banqueiros), da necessidade de reorganização social, etc., etc.. Para que tudo funcionasse, a bem dos senhores, há que reorganizar também o sistema religioso de modo a manter o povo quieto e direitinho.

      Beijos!

  3. Gilberto diz:

    Concordo com seu ponto de vista e acrescento que, em minha visão, espiritualidade é a conexão harmoniosa ou próxima da harmonia, entre seus pensamentos e estado psíquico com a natureza a seu redor, ou seja, é você conseguir viver e interagir naturalmente com o ambiente a sua volta, sem depreda-lo e sem que ele lhe pareça um transtorno ou obstáculo.
    Os antigos japoneses acreditavam que espiritualidade era a ciência de que somos parte integrante da natureza e que esta natureza era parte importante para nosso desenvolvimento pessoal e social.
    Para ser espiritualizado precisamos de razão e não de divindades.
    Um grande abraço

    • Luísa L. diz:

      Gilberto, definiste na perfeição o que eu tentei dizer neste artigo. Considero que, muitas vezes, as nossas desarmonias interiores (consequentemente exteriores), se dão exatamente porque o Homem se esqueceu que faz parte da natureza. Apesar de toda a sua sofisticação (porque é um animal racional) é um ser natural por excelência.

      Muito obrigada! Abraço.

  4. Como não tenho um conceito formado sobre espírito, não posso ter sobre espiritualidade. No entanto, de lado as palavras, vejo na poesia do cotidiano e nas suas inexplicáveis manifestações um aprendizado peculiar e gratificante. Não sou agnóstico, sou ignorante mesmo.

    • Luísa L. diz:

      Curiosamente, eu também não tenho um conceito muito claro sobre o espírito. 🙂

      Penso que as palavras têm o seu significado genérico (muitas vezes adulterado), ao qual ainda imprimimos conotações pessoais. Por isso, quando classificamos as nossas posições políticas, filosóficas, sociais, pessoais e religiosas, quase sempre existem ressalvas.

      Agnóstica é apenas a classificação que mais se aproxima do meu pensamento religioso, porque na realidade, sou mesmo é um ser ignorante e cheio de dúvidas. 😀

  5. A espiritualidade é tudo o que você disse e Jesus Cristo é o único caminho para o Pai, não trato-se aqui da religião, pois a mensagem de Cristo é para todas, não existem vários caminhos ao Pai, apenas um, não somos todos filhos de Deus, apenas os que creem em Cristo Jesus, e isto não são palavras minhas mais do próprio Jesus Cristo :
    “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”.

    • Luísa L. diz:

      Muito obrigada por deixares aqui a tua opinião, Israel. 🙂
      Quanto ao “caminho” da espiritualidade, penso que é individual. O meu, certamente, não precisa de intermediários (Jesus, deus, ou outra entidade sobrenatural).
      Abraços!

  6. Olá Luísa,

    Tomei a liberdade de postar este seu texto no Facebook e minhas amizades o apreciaram. Parabéns.

  7. Beth Muniz diz:

    Oi Luisa,
    Já havia lido este texto no blog da Atena, da qual sou uma fanzoca.
    Mas, quando li o título não resisti.
    Eu não professo nenhuma religião ou doutrina. Não suporto amarras…
    Ultimamente tenho me decepcionada mais com as pessoas que se intitulam religiosas ou seguem alguma doutrina, do que com as outras “pobres mortais”.
    Prefiro me alimentar e crescer pela visão mais ampla do mundo, assim como tu.
    Se for espiritualização tudo ou quase tudo que o texto descreve, então, sou uma pessoa espiritualizada.
    Beijo

  8. Cris diz:

    Lu,
    Incrível esse texto! Deixando de lado as religiões, tenho como espiritualidade, o conjunto de seres que pertencem a natureza. Cada um cumprindo a sua missão, seja o pássaro, seja o motorista do ônibus, seja a flor ou até mesmo a pedra. Todo esse conjunto, quando em harmonia, é a visão perfeita de espiritualidade. Infelizmente o ser considerado mais importante da cadeia (o humano), tenta a todo custo destruir a perfeição. Quando está no poder, quando mata o passarinho e até mesmo quando destrói tudo a sua volta para construir a tão sonhada casa. Uma lástima! A fofoca, o ódio, a mágoa, o desamor e tantos outros vícios perniciosos, acabam por deixar a espiritualidade nas mãos das religiões.

  9. Lanny kelly diz:

    Linda essa definicao sobre a espirtualidade. Amei!!

Sirva-se de frutos, prove o hidromel e diga de sua justiça!

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