O Unicórnio Cor de Rosa Invisível

Criança de 4 anos – Mãe, eu queria viver num cogumelo…
Mãe – Mas as pessoas não vivem em cogumelos, filha.
Criança começando a choramingar – Mãe, mas eu queria viver num cogumelo!…
Mãe, mudando rapidamente de estratégia – Mas os cogumelos são muito difíceis de encontrar, fofinha.
Criança – Mas o Orelhas vive num!
Mãe – Mas ele mora no país dos Brinquedos e tu moras em Portugal.
Criança – É muito longe, assim como a casa da avozinha?
Mãe – Muito mais longe. Tão longe que quase ninguém sabe onde fica!
Criança – Mas o Noddy sabe o caminho, ele também tem um carro!
Mãe – Então está bem. Quando encontrares o Noddy perguntas-lhe e assim ficamos a saber o caminho!
Criança – Obrigada, obrigada, mãe! Eu queria tanto viver num cogumelo!

Infelizmente a criança nunca encontrou o Noddy, mas não se deu por vencida e rapidamente transferiu a sua atenção para umas asinhas de fada, vaporosas, cor-de-rosa e quase invisíveis, as quais deram algumas dores de cabeça à mãe.

O diálogo ali de cima fez-me lembrar o Unicórnio Cor de Rosa Invisível. Ora este ser extraordinário que é descrito pelos rapazes e raparigas da Desciclopédia, que são danados para a brincadeira, como um ser mitológico criado pelos hereges pecadores para demonstrar como qualquer idiota pode criar um deus, é assim uma espécie de fada com asinhas vaporosas, mas sem ser fada e em vez das asas tem um corno, parecendo-se, por isso, com um unicórnio invisível que é paradoxalmente cor de rosa.

Isto pode parecer muito confuso, mas não é. É que o Unicórnio Cor de Rosa Invisível é um ser de grande poder espiritual, por isso pode ser Cor de Rosa e Invisível ao mesmo tempo, pois a crença neste ser extraordinário baseia-se na lógica e na. Os adoradores fanáticos do Unicórnio Cor de Rosa Invisível acreditam cegamente, pela fé, que ele é Cor de Rosa e, logicamente, sabem que é invisível porque não o conseguem ver.

Finalmente compreendi a fé e as crenças em Deus, tudo graças a um cogumelo.

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Sobre Luísa L.

Portuguesa, alentejana, apaixonada pelas artes e letras em todas as suas manifestações.
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3 respostas a O Unicórnio Cor de Rosa Invisível

  1. Beth Muniz diz:

    Muito Bom.
    Assim é…
    O fanatismo cega.
    A fé, sobrevive…
    Beijo Luisa.
    Bom domingo.

  2. Eduardo Medeiros diz:

    Acho engraçado quando se compara a ideia de um criador da existência que chamamos de Deus com unicórnios cor-se-rosa ou com bules voadores na órbita terrestre…rsss Isso por que, a comparação é desfocada. Deveriam dizer os teístas acreditam que um unicórnio cor-de-rosa é o criador da existência. Aí a coisa fica meio esquisita…é claro que para quem acha que um unicórnio cor-de-rosa tem o mesmo peso filosófico do “motor primordial” de Aristóteles ou de todas as construções filosóficas que foram pensadas e criadas ao longo da história da filosofia e da teologia, dá na mesma!

    Acontece que nós não sabemos quem somos. Não sabemos bem como vinhemos a ser o que somos. Quem foi nosso criador? bilhões de acidentes cegos, aleatórios, inconscientes que por sua vez aconteceram vindo do nada?

    Não me admira que os homens em todas as épocas, procurou nos céus, na figura dos deuses, a sua origem. Ora, e não que os céus deve mesmo ser de onde viemos? Afinal de contas, não somos também feitos de pó de estrelas? Estrelas inteligentes e conscientes, claro, mas também estrelas…

    O que a deusa ciência nos diz? quase nada. Ou melhor, a deusa ciência é inútil em responder as perguntas mais básicas da existência de um ser que pensa: “Quem sou, de onde vim, para onde vou, por que exite alguma coisa ao invés do nada”, etc. Não estou desmerecendo a deusa Ciência, claro que não, seria um imbecil que acredita em unicórnios cor-de-rosa se o fizesse, só estou dizendo, que ela é limitada para dar conta de todas as dimensões possíveis da existência humana.

    Evidente também, que os deuses das mitologias e das religiões são apenas isso: mitologias. Mas na verdade, por trás e além das ideias teístas sejam elas de que forma forem, estão aí pois a Resposta ainda não veio.

    E que mania a nossa, do homem pós-moderno, em querer desmerecer o mito…ora, o mito penetra nas dimensões interiores psíquicas que o materialismo científico não pode penetrar. Afinal de contas, quem de nós não precisa de um bom sonho, de uma boa dose de exercício da imaginação? por que valorizamos tanto nossa razão e desprezamos nossa imaginação? Ora, o que seria da matéria sem a consciência? a consciência é o mundo das possibilidades transcendentais que nos faz ir além do que somos. Mas na verdade, não sabemos o que somos…

    Não sabemos o que é, em essência, a Vida!

    A vida é um presente do acaso que não podemos ter certeza que foi assim tão acidental.A vida sempre caminha para a evolução. Ela não se contenta com o simples, com os unicelulares, com as amebas, com as bactérias; a vida, teimosa, quer ir em frente; vê no final da caminhada uma finalidade: construir uma entidade enigmática que ninguém sabe bem o que é e que chamamos de consciência.

    E essa consciência então, que emerge dos átomos humanos, aqueles mesmos átomos que povoam as estrelas, é capaz de dar sentido a tudo o que vê. Mas pobre dela, chora quando lhe dizem que essa busca por sentido, finalidade, design, é tudo resultado de uma evolução burra e aleatória, por isso não lhe deve dar muito valor.

    A consciência nega, conscientemente, aquilo que ela mesmo é: entidade que dá sentido ao universo ao dizer que quem a criou, nada tinha de consciente…

    Enfim, amiga, só assim consigo falar de Deus, de sentido da vida, de acasos bem planejados: tentando fazer poesia mesmo sem poeta ser.

    Mas e quanto ao unicórnio cor-de-rosa e as casas de cogumelos? deixemo-los no reino encantada da imaginação infantil que em nada é inferior ao meu mundo concreto, material e “real”.

    Como se a realidade fosse uma coisa só que está “lá fora” e não, dentro de cada ser pensante que a constrói a partir de “dentro”.

    beijos.

    eduardo medeiros (www.caminhosdateologia.wordpress.com)

  3. Pingback: Sobre Deuses e Unicórnios | Génesis e Outras Lendas Avulso

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