Falácias Causais

Falácias causais

Stephen Downes

Os argumentos causais são os argumentos onde se conclui que uma coisa ou acontecimento causa outra. São muito comuns mas, como a relação entre causa e efeito é complexa, é fácil cometer erros. Em regra, diz-se que C é a causa do efeito E se e só se:

  1. Geralmente, quando C ocorre, também E ocorre; e
  2. Geralmente, se C não ocorre, então E também não ocorre.

Diz-se “geralmente” porque há sempre excepções. Diz-se, por exemplo, que riscar o fósforo é a causa da chama porque:

  1. Geralmente, quando riscamos o fósforo ele acende (excepto quando riscamos o fósforo dentro de água…); e
  2. Geralmente, quando o fósforo não é riscado, ele não acende (excepto quando o acendemos com um maçarico…).

Muitos especialistas requerem também que uma afirmação causal seja apoiada por uma lei da natureza. Por exemplo, a afirmação “riscar o fósforo é a causa da chama” é justificado pelo princípio “a fricção produz calor, e o calor produz o fogo”.

Depois disso, por causa disso (post hoc ergo propter hoc)

O nome em Latim significa: “depois disso, logo, por causa disso”. Isto descreve a falácia. Um autor comete a falácia quando pressupõe que, por uma coisa se seguir a outra, então aquela teve de ser causada por esta.

Exemplos:

  1. A imigração do Alentejo para Lisboa aumentou mal a prosperidade aumentou. Portanto, o incremento da imigração foi causado pelo incremento da properidade.
  2. Tomei o EZ-Mata-Gripe e dois dias depois a minha constipação desapareceu…

Efeito conjunto

Sustenta-se que uma coisa causa outra mas, de facto, são ambas o efeito de uma mesma causa subjacente. Esta falácia é muitas vezes apresentada como um caso especial de falácia post hoc ergo propter hoc.

Exemplos:

  1. Estamos a viver uma fase de elevado desemprego que é provocado por por um baixo consumo. (De facto, ambos podem ser causados por taxas de juro muito elevadas.)
  2. Estás com febre e isso está a fazer com que te enchas de borbulhas. (De facto, ambos os sintomas são causados pelo sarampo.)

Causa genuína mas insignificante

O objecto ou evento identificado como a causa de um efeito, é uma causa genuína — mas insignificante quando comparada com outras causas desse evento. Note-se que não se trata desta falácia quando todas as outras
causas são igualmente insignificantes. Não é falacioso dizer que a sua ajuda causou a derrota do partido do governo, porque o seu voto tem o mesmo peso de qualquer outro voto e, portanto, é igualmente parte da causa.

Exemplos:

  1. Fumar causa a poluição do ar em Edmonton. (É verdade mas o efeito do fumo do tabaco é insignificante comparado com o efeito poluente dos automóveis.)
  2. Deixando a tua fornalha acesa durante a noite contribuis para o aquecimento global do planeta.

Tomar o efeito pela causa

A relação entre causa e efeito é invertida.

Exemplos:

  1. O cancro faz fumar.
  2. A propagação da SIDA foi provocada pela educação sexual. (De facto, o desenvolvimento da educação sexual foi provocado pela propagação da SIDA.)

Causa complexa

O efeito é provocado por um certo número de objectos ou eventos, dos quais a causa identificada é apenas um parte. Uma variante disto são os ciclos de feedback onde o efeito é ele mesmo parte da causa.

Exemplos:

  1. O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto. (Certo, mas o acidente não teria ocorrido se o condutor não estivesse bêbado, e se o peão tivesse prestado atenção ao trânsito.)
  2. A explosão do Challenger foi causada pelo tempo frio. (Verdadeiro, mas não teria ocorrido se os anéis em o tivessem sido bem construídos.)
  3. As pessoas estão com medo por causa do incremento do crime. (Certo, mas as pessoas têm sido levadas a violar a lei em consequência do seu medo. O que ainda aumenta mais o crime.)
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Sobre Luísa L.

Portuguesa, alentejana, apaixonada pelas artes e letras em todas as suas manifestações.
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2 respostas a Falácias Causais

  1. Pingback: Ver! | Blog | Falácias Causais

  2. O famoso efeito borboleta ….ou não.

Sirva-se de frutos, prove o hidromel e diga de sua justiça!

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