Por Onde Anda a Ética na Religião?

O Cerco de Jericó

Richard Dawkins, em A Desilusão de Deus, relata uma experiência levada a cabo pelo psicólogo George Tamarin, onde este conta duas histórias a crianças israelitas, de idades compreendias entre os 8 e os 14 anos.

1ª História

Quando o povo de Israel chegou perto da cidade de Jericó temeu não poder conquistá-la com os guerreiros que possuía. Foi então que Deus falou a Josué, ordenando-lhe que ele procedesse de determinada maneira e, quando o grande muro desabasse, ele mataria todos os habitantes da cidade: homens e mulheres, crianças e velhos, bois, ovelhas e jumentos. Josué assim fez, incendiou a cidade reduzindo-a a escombros.

Pergunta: Pensam que Josué agiu corretamente, ou não?
Cerca de ¾ das crianças aprovaram a ação e as restantes desaprovaram total ou parcialmente.

2ª História

Há mais de 3.000 anos, um guerreiro chinês, General Lin, quis formar um reino e, com o seu exército começou a anexar terras que pertenciam a outros povos. Passado algum tempo, chegaram perto de uma grande cidade protegida por fortes muralhas. Nessa noite, o Deus da Guerra chinês apareceu em sonhos ao General Lin prometendo-lhe a vitória e ordenando-lhe que matasse todas as almas que existissem na cidade, pois essas pessoas não acreditavam no Deus da Guerra chinês. No dia seguinte, o General Lin e os seus soldados entraram na cidade e mataram todos os homens e mulheres, crianças e idosos, bois, ovelhas e jumentos.

Pergunta: Pensam que o General Lin agiu corretamente, ou não?
Mais de ¾ das crianças desaprovaram a ação e menos de ¼ aprovaram total ou parcialmente.

Os resultados indicam que a avaliação ética das crianças, tem a ver com a presença ou ausência da sua religião na história contada. O valor proposto – genocídio – é naturalmente aceite, pela maioria, se levado a cabo por um personagem do seu credo. Neste caso concreto, o ensino acrítico da Bíblia, ou de outros manuais religiosos, influenciou o julgamento ético do indivíduo. E estas crianças serão adultas amanhã. Assustador, não é?

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Sobre Luísa L.

Portuguesa, alentejana, apaixonada pelas artes e letras em todas as suas manifestações.
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7 respostas a Por Onde Anda a Ética na Religião?

  1. Beth Muniz diz:

    O empate (3/4 e 1/4)) nas duas situações são muitos significativos.
    Realmente preocupante.
    Outro dia eu me perguntei: como combatermos a ideia e a necessidade das guerras atuais, se esse deus Israel e Jericó, segundo a Bíblia, só fala em mortes e genocídios como meio de alcançar a salvação, como revela a experiência do Richard?
    Vou apelar para o Unicórnio…
    Beijo.

  2. Aurélio diz:

    Luiza querida, a religião sempre foi e sempre será um meio de controlar massas, arrecadar fundos para enriquecimento de um ou de vário membros da elite religiosa. Não sou ateu, mas não sigo qualquer religião, minhas orações faço em conversas com quem acredito ser Deus, reclamo, peço, agradeço, peço perdão pelos meus atos, mas não me prendo a nenhuma construção abarrotada de gente fazendo gestos, cantando músicas e recitando orações decoradas das quais não sabem sequer o significado ou a finalidade.
    Acredito no que acredito e ponto, ninguém me leva a qualquer templo oferecendo-me a redenção ou vendendo terreninhos no céu!
    Um grande beijo minha querida!!!

  3. Sissym diz:

    Ahhhhhh adorei o comentario da Beth!

    Luisa, é bastante assustador sim. Isso demonstra como o meio influencia as cabeças que deveriam pensar um pouco mais, nem que para isso, antes de tomarem decisões, pesquisassem mais para construirem conceitos sólidos.

    Beijos

  4. É Luíza, o que eu sei é que cada vez mais concordo com Bertrand Russel: Se Deus existisse, teria que ser julgado por crimes contra a humanidade.

    A correção seria apenas para Deuses. Não conheço um só que não deturpe e corrompa a razão. E a experiência deixa isso bem claro.

    Algumas dessas crianças, ao crescer, vai armar-se de razão também. E, mesmo que preserve sua fé, vai avaliar melhor as coisas. Crerá, porém… Enfim, será humano. O triste é ver que muitas dessas crianças não crescerão. Não serão adultos. Em algum ponto de sua história, se transformarão em cordeiros e ovelhas, conformados em apenas balir os ensinamentos recebidos.

    Beijos

  5. Eduardo Medeiros diz:

    Bom, o resultado já era esperado, não?

    Mas acho que é forçar demais dizer que isso demonstra que crianças judias irão amanhã cometer genocídio. E a amiga Beth Muniz comete erros grosseiros em dizer que

    “como combatermos a ideia e a necessidade das guerras atuais, se esse deus Israel e Jericó, segundo a Bíblia, só fala em mortes e genocídios como meio de alcançar a salvação”.

    Como se as guerras atuais fossem culpa do deus judaico ou do deus mulçumano ou do deus cristão. Quem vai fazer guerra não são os deuses, são os homens…

    Beth também erra ao dizer que o deus “Israel e Jericó”(aqui deve ter havido uma falha na construção da frase), impõe a salvação pela guerra.

    Lembrem-se que as guerras são coisas tão humanas que desde sempre nós guerreamos uns com os outros e as guerras antigas eram também guerras dos deuses de cada nação. Pode ser que isso ainda aconteça hoje nas alas fundamentalistas religiosas, mas universalizar essa ideia a todos os religiosos é puro preconceito e desconhecimento da essência de toda religião.

    abraços

  6. Deus nos ajude …….ou será que não ….

  7. Realmente, é absolutamente assustador saber que amanhã essas crianças serão adultas.

Sirva-se de frutos, prove o hidromel e diga de sua justiça!

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