Mouras Encantadas (Parte 1)

As mouras encantadas, também chamadas moiras, são seres encantados com poderes sobrenaturais, são espíritos fantásticos do folclore popular português. Estes seres são obrigados, por uma dada força oculta e sobrenatural, a viverem semi-adormecidos até que determinado acontecimento lhes quebre o encanto.

De uma maneira geral, as lendas descrevem as mouras encantadas como jovens donzelas de rara beleza ou encantadoras princesas perigosamente sedutoras. Elas aparecem enquadradas num castelo, em grutas ou perto de um curso de água, penteando os seus longos cabelos, loiros como o ouro ou negros como a noite. Ostentam riquezas e prometem tesouros a quem as libertar do encanto.

As Mouras podem assumir diversas formas, tanto humana como de animais chegando mesmo transformar-se em pedras. É enorme o número de lendas e versões da mesma lenda, resultado de séculos de tradição oral. Nos contos, elas surgem como guardiãs dos locais de passagem para o interior da terra, os locais onde se acreditava que o sobrenatural podia manifestar-se. Aparecem junto de nascentes, fontes, pontes, rios, poços, cavernas, antigas construções, velhos castelos ou tesouros escondidos.

Diversos estudos, apontam para a época pré-romana a origem das Mouras. Estes seres encantados apresentam diversas semelhanças às Banshee das lendas Irlandesas. Paralelamente, na mitologia Basca, os Mairu (mouros) são os gigantes que construíram dólmens e os cromeleques. As lendas de mouras encantadas aparecem também na tradição oral Galega e Asturiana.

Não se sabe ao certo a origem do termo moura (moira) pensa-se que ele possa derivar da palavra grega “moira” (μοίρα), que literalmente significa “destino”, e das Moiras, divindades originárias da mitologia grega.

Também se considera possível a origem na palavra celtas “mori”, que significa mar, ou “mori-morwen”, que designa sereia, provavelmente relacionando as mouras com as ondinas ou as ninfas, espíritos que habitavam nos rios e nos cursos de água. Outra possível origem de moura (moira), assenta na palavra “mahra” e “mahr”, que significa espírito.

Bibliografia: Alexandre Parafita em “A Mitologia dos Mouros”; “Revista Portuguesa de Arqueologia”; José Leite de Vasconcelos (vários textos)

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Sobre Luísa L.

Portuguesa, alentejana, apaixonada pelas artes e letras em todas as suas manifestações.
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